A Inteligência Artificial foi protagonista no terceiro dia do Web Summit Rio 2025, não apenas como ferramenta de inovação, mas como aliada na busca por soluções sustentáveis e inclusivas. Em meio a anúncios de investimento e debates inspiradores, ficou claro que o futuro da tecnologia está diretamente ligado ao impacto positivo que ela pode gerar na sociedade e no planeta.
Um dos principais destaques veio da Microsoft, que planeja investir R$ 14,7 bilhões em infraestrutura de IA no Brasil. Ao mesmo tempo, a gigante da tecnologia foca na qualificação da mão de obra local. Segundo a presidente da empresa no país, Priscyla Laham, o programa ConectAI já capacitou 2,4 milhões de brasileiros desde o ano passado. “A força de trabalho ainda é uma barreira para a adoção da IA pelas empresas. Capacitar é essencial para um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo”, afirmou.

IA no prato e no espaço
A revolução sustentável chegou também à alimentação. A startup chilena NotCo apresentou no palco principal como sua plataforma de IA, chamada Giuseppe, combina ingredientes inusitados — como abacaxi e repolho — para criar alimentos vegetais com gosto, textura e aroma idênticos aos de origem animal. “Riram quando dissemos que a IA mudaria a comida. Hoje, estamos em sete países e a tecnologia é a chave para fazer melhor, mais rápido e com menor impacto”, disse Mathias Muchnick, fundador da empresa.
Já na fronteira da inovação espacial, a astronauta egípcia Sara Sabry destacou o papel da IA na inclusão de gênero e etnia na corrida espacial. Fundadora da Deep Space Initiative, ela defende uma exploração mais democrática do universo. “Ser a primeira mulher árabe no espaço era impensável cinco anos atrás. A tecnologia está tornando isso possível, inclusive acelerando tarefas que antes levavam meses”, contou.
Dados como patrimônio
O debate sobre propriedade de dados também ganhou força no evento. A Dataprev, em parceria com a DrumWave, anunciou o projeto de criação de uma espécie de “poupança de dados”. A iniciativa permitirá que os usuários lucrem com a venda autorizada e anônima de suas informações pessoais.
“Hoje, dados são vendidos sem que os donos recebam nada. Com esse modelo, 50% da receita será dos usuários”, explicou Brittany Kaiser, conselheira da DrumWave e conhecida pelo documentário Privacidade Hackeada. O presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, completou: “A ideia é promover inclusão digital e financeira em larga escala, com os recursos podendo ser usados até em investimentos em IA.”







