Mesmo com a suspensão das exportações de carne de frango para 17 mercados internacionais após a confirmação de dois focos de gripe aviária no Rio Grande do Sul, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou nesta segunda-feira (19) que o episódio não deverá impactar significativamente os preços do produto no mercado interno.
Segundo ele, a produção nacional está parcialmente resguardada, já que cerca de 70% do frango produzido no país é destinado ao consumo interno. “Pode haver uma leve variação, com excesso de oferta por até 15 dias, mas logo haverá redirecionamento dos produtos para novos destinos ou retomada de exportações”, disse o ministro em coletiva à imprensa.
Exportações suspensas, mas sob controle
O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, vende mais de 5,2 milhões de toneladas do produto para 151 países, o que rendeu US$ 9,9 bilhões em 2024. Atualmente, 35,3% da produção é destinada ao mercado externo. Os focos da doença foram registrados em uma granja de Montenegro e em um zoológico de Sapucaia do Sul, ambos na região metropolitana de Porto Alegre.
Ao todo, sete países suspenderam as importações diretamente: México, Coreia do Sul, Chile, Canadá, Uruguai, Malásia e Argentina. Outros 10 aplicaram suspensão automática conforme acordos sanitários, incluindo China, União Europeia e África do Sul. Vários mercados impuseram restrições apenas ao estado do Rio Grande do Sul ou ao município de Montenegro.
Respostas rápidas e sistema de vigilância ativo
Desde a detecção do primeiro foco, ações de contenção e vigilância foram intensificadas. Mais da metade das 538 propriedades da região afetada já foram inspecionadas, e barreiras de contenção estão em vigor. Ao menos 17 mil aves foram sacrificadas e 70 mil ovos, destruídos. Os locais afetados passam por desinfecção rigorosa.
O governo também monitora cerca de 30 milhões de ovos férteis distribuídos nos últimos 28 dias, com foco na contenção da disseminação do vírus.
Confiança na retomada
Fávaro destacou que nenhum foco foi detectado em plantéis comerciais fora da zona de controle, e que a eficiência e transparência do sistema sanitário brasileiro devem garantir a confiança dos parceiros internacionais. “A experiência do ano passado com a doença de Newcastle mostrou que os impactos no mercado foram mínimos”, afirmou.
A expectativa do governo é que, após 28 dias sem novos casos, o Brasil possa fazer uma autodeclaração de erradicação à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), com possível retomada gradativa das exportações.







