O rapper Filipe Ret abriu o palco Skyline neste sábado (6), no primeiro dia do The Town 2025, com uma apresentação que combinou engajamento político, misticismo e a força do trap. Diante de uma multidão de jovens, o artista carioca mostrou por que se consolidou como uma das principais vozes do gênero no país.

Ret entrou em cena ao som de “Uma Era”, surgindo sobre uma estrutura que remetia às portas de um portal luxuoso. O repertório, focado nos álbuns “Nume” e “Nume Epílogo” — parte de sua segunda trilogia de discos —, trouxe sucessos como “Da Onde Eu Venho”, “Corte Americano” e “Tudo de Novo”, esta última com participação de Alee, ovacionado pelo público.
Em um dos momentos mais marcantes da noite, o rapper celebrou a cena trapper e funkeira, exaltando nomes como Oruam e Poze do Rodo. Antes de cantar “Me Sinto Abençoado”, parceria com Poze, ele afirmou: “Liberdade pro Oruam. MC não é bandido”, em referência às recentes prisões de funkeiros, arrancando aplausos e gritos da plateia.
O show também foi marcado por referências às origens do artista, que homenageou os bairros cariocas Catete, Glória e Lapa — a “KGL” de uma de suas canções. No setlist, estiveram ainda faixas como “Libertários Não Morrer”, “Louco pra Voltar”, “FFM”*, “Melhor Vibe”, “Good Vibe”, “Visão de Cria 2” e “War”. O encerramento veio com “Deus Perdoa”, em um momento catártico no qual o rapper tirou a camisa.
A atmosfera do espetáculo foi reforçada pela cenografia: estátuas de anjo, céu psicodélico nos telões e imagens distorcidas do cantor, ora como anjo, ora como demônio. Com banda afiada e um público entregue, Filipe Ret transformou sua estreia no festival em um ritual de potência e liberdade, misturando espiritualidade, crítica social e a energia bruta do trap.







