A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB SP) realiza até sábado (24) a primeira edição da Semana de Memória e Resistência Negra. O destaque da programação é a exposição Ecos do Silêncio, que apresenta ao público documentos e objetos originais do período da escravidão no Brasil, reunidos ao longo de 15 anos pela advogada, cineasta e pesquisadora Mabel de Souza.
A coleção nasceu após Mabel visitar o Museu de Criminologia em Rothenburg Ob Der Tauber, na Alemanha, onde percebeu como os europeus expõem suas memórias históricas sem subterfúgios. Inspirada por essa abordagem, ela passou a adquirir instrumentos de tortura e documentos históricos por conta própria em diversos estados brasileiros. Alguns itens foram pagos em até 60 parcelas.
Entre os objetos expostos estão a canga, o viramundo e os colares de ferro com sinos, que restringiam movimentos e denunciavam tentativas de fuga de pessoas escravizadas. “Essas peças falam por si só. Todas são originais. Corpos estiveram ali. Gritos. Elas ecoam mesmo”, afirmou Mabel, emocionada.
A exposição também marca o lançamento do livro Engenhosidade Perversa, obra na qual a autora aprofunda sua pesquisa sobre os instrumentos de suplício e o sistema escravocrata.
Para a presidente da Comissão da Verdade Sobre a Escravidão Negra da OAB SP, Cristiane Natachi, a proximidade com os objetos históricos provoca um impacto impossível de ignorar. “Saber é diferente de ver. Sentir o arrepio na espinha muda a forma como entendemos nosso papel na sociedade e no Direito”, diz.
A exposição e a semana temática buscam, além da memória, promover o reconhecimento da resistência negra e propor um diálogo necessário sobre os reflexos da escravidão na estrutura social e jurídica do país até hoje.







