A expansão imobiliária no Setor Noroeste, área nobre de Brasília, tem gerado tensão com os povos indígenas que vivem há décadas na região. Na última terça-feira (15), um confronto entre a Polícia Militar e cerca de 20 indígenas evidenciou os impactos da urbanização sobre as comunidades locais.

Segundo o cacique Álvaro Tucano, da aldeia Yepá Mahsã, o avanço das obras coloca em risco as cinco aldeias do território, três delas já reconhecidas. “Seremos prejudicados por causa da especulação imobiliária. A área é uma fronteira natural de proteção das nossas aldeias”, declarou. Tucano também criticou a falta de diálogo com o poder público: “Sou uma autoridade tribal e quero ser respeitado. Não podem machucar meus filhos nem meu povo.”
A operação de desocupação foi autorizada pela Justiça Federal e executada com apoio da Terracap, responsável pelo projeto urbanístico. A PM afirma que tentou negociar a saída pacífica dos indígenas, mas que houve resistência, com pedras sendo arremessadas, o que motivou a atuação do Batalhão de Choque.
Zé Guajajara, morador da aldeia Teko Haw, contou que estava com a família quando a PM chegou “jogando bombas”. Ele nega que o grupo pretendesse ocupar a área de forma definitiva. “Não queremos tomar a quadra 707. Só não queremos que ela seja usada para nos colocar em risco.”
Lideranças apontam que o caso reflete uma escalada nacional de violações contra os povos originários. “Veja os yanomami, os pataxó, os guarani. O Brasil nunca terá alma limpa com sangue indígena em suas mãos”, afirmou Tucano.







