O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (9), que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para tratar da sobretaxa aplicada sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida, conhecida como “tarifaço”, foi imposta pelo governo Donald Trump e atinge setores estratégicos como café, frutas e carnes.
Segundo Lula, após uma videoconferência realizada na última segunda-feira (6) com Trump, as negociações avançaram para uma nova etapa. O presidente destacou a cordialidade no diálogo: “Ele me telefonou da forma mais gentil que um ser humano pode lidar com o outro. Eu, tratando de forma civilizada, e ele me tratando de forma civilizada”, afirmou, lembrando ainda do breve encontro que tiveram nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU.
Lula defendeu que Brasil e Estados Unidos, como “as duas maiores democracias do Ocidente”, devem priorizar a harmonia e não o conflito. “Eu falei com ele que era preciso retirar a taxação dos produtos brasileiros, que ele tinha sido mal informado. Então, agora, começa outro momento”, disse em entrevista à Rádio Piatã, da Bahia.
O Itamaraty confirmou a aproximação e informou que Mauro Vieira e Marco Rubio devem se reunir em breve, em Washington, “para dar seguimento ao tratamento das questões econômico-comerciais entre os dois países, conforme definido pelos presidentes”.
Origem do tarifaço
As tarifas adicionais contra o Brasil foram estabelecidas em 2023, dentro da nova política comercial da Casa Branca. Em abril, Trump havia fixado uma taxa de 10% sobre exportações brasileiras. No entanto, em agosto, uma sobretaxa de 40% foi adicionada, em retaliação a medidas que, segundo Washington, prejudicaram big techs americanas, além de como resposta política ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Inicialmente, cerca de 45% das exportações brasileiras aos EUA — como suco de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves — ficaram de fora da taxação. Posteriormente, outros itens também foram excluídos da lista.
Lula ressaltou que o Brasil não busca confronto com os Estados Unidos e destacou os mais de 200 anos de parceria diplomática entre os países: “Queremos manter uma relação boa, civilizada, democrática e respeitosa, sem abrir mão do nosso conceito de democracia e da nossa soberania”.







