Diante de uma situação praticamente irreversível, as empresas Real Auto Ônibus, que atuava nos consórcios Intersul e Transcarioca e a Transportes Vila Isabel, apenas no Intersul encerram as atividades neste sábado.
Diante de inúmeras reclamações e de paralisações por parte de seus funcionários, pela falta de pagamento de salários e benefícios, a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), decretou o encerramento das atividades operacionais das viações Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel, que vinham atuando no transporte coletivo da cidade, especialmente ligando bairros da Zona Norte, Sudoeste, Centro e Sul carioca.
As duas empresas, foram alvo de uma operação de fiscalização da prefeitura, que constatou o descumprimento da obrigatoriedade de vistoria anual da frota. Cerca de 250 ônibus, que deveriam ter passado por inspeção física e técnica, não foram vistoriados dentro do prazo legal, e a grande maioria dos veículos estava irregular ou em más condições de conservação.
O prefeito Eduardo Paes afirmou que apenas uma pequena fração desses ônibus estava em circulação — algo em torno de apenas 17 veículos nas ruas — apesar da expectativa de operação regular de toda a frota. No seu auge, a Real chegou a ter 466 ônibus numerados em operação e a Vila Isabel 174.
Diante dessa situação, a prefeitura lacrou a garagem compartilhada das duas empresas, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, impedindo-as de continuar operando rodando.
Com a medida, as linhas operadas pela Real Auto Ônibus e Vila Isabel deixaram de circular, provocando impactos diretos no dia a dia de quem dependia desses serviços para ir ao trabalho, à escola ou realizar outras atividades.
Antes de chegar a esse ponto, as empresas já vinham enfrentando problemas operacionais frequentes, incluindo:Paralisações e greves de motoristas por atrasos no pagamento de salários e benefícios;
Ao longo desses 16 anos, a Real vinha passando por momentos conturbados. No seu grupo “Amarelinha”, fundada em 1953, chegou empresas de turismo e de transporte coletivo, dentro e fora do estado do Rio de Janeiro. Além da Real, o grupo chegou a ser composto por Reitur Turismo, que chegou ao fim em 2019; Vip Auto Ônibus, que depois se tornou Premium Auto Ônibus, que foi vendida e dissolvida dentro da Expresso Recreio; Real Transportes Metropolitanos (do estado de São Paulo), extinta em 2019 e Friburgo Auto Ônibus Limitada, ou FAOL, que também foi vendida para o grupo da Expresso Recreio; além de já ter administrado as concessionárias de veículos Volkswagen, TransRio e Real Veículos. A Real inclusive, já operou na primeira gestão do BRT Rio. Já a Vila Isabel, sempre atuou de forma independente, desde 1962, e já operou inclusive, o Metrô na Superfície, serviço de integração feito por ônibus urbano, junto ao Metrô Rio, e só passou a fazer parte de um grupo, há pouco mais de um ano.
FALTA DE COMBUSTÍVEL PARA OS ÔNIBUS
Esse conjunto de dificuldades contribuiu para a deterioração do serviço e para o prejuízo aos passageiros que utilizavam essas linhas regularmente.
Visando evitar que a população ficasse ainda mais prejudicada, a administração municipal anunciou um plano emergencial de reorganização do sistema de ônibus, que inclui: Transferência de cerca de 60% das linhas que eram operadas pela Real e Vila Isabel para outras empresas dentro do próprio consórcio (Intersul), com o objetivo de manter os serviços funcionando, além da criação de novas linhas, afim de suprir grande parte dos itinerários das linhas das duas empresas.
A Mobi-Rio, empresa pública de mobilidade, se necessário poderá assumir parte das operações caso seja necessário, garantindo que não haja queda grande na oferta de ônibus para os usuários.
Essas ações fazem parte de um esforço mais amplo da prefeitura para melhorar a qualidade e a regularidade do transporte público na cidade.
O QUE SE ESPERA
A expectativa é que, com essas mudanças e com o prosseguimento de processos de licitação para novas concessões, o serviço de ônibus na cidade se torne mais confiável e que os problemas que marcaram os últimos anos possam ser reduzidos.
TODAS AS LINHAS DA REAL 🟨
108 – Terminal Gentileza x Ipanema
110 – Terminal Gentileza x Leblon
111 – Central x Leblon
112 – Terminal Gentileza x Gávea –
163 – Terminal Gentileza x Copacabana
181 – Rodoviária x São Conrado
222 – Vila Isabel x Gamboa
309 – Central x Alvorada
SN309 – Terminal Gentileza x Alvorada
SP309 – Central x São Conrado
315 – Central x Recreio (pool)
SPA315 – Vila do João x Recreio (pool)
SPB315 – Saída 7 x Recreio (pool)
443 – Maré x Leblon
444 – Maré x Copacabana
460 – São Cristovão x Leblon
462 – São Cristovão x Copacabana/Arpoador
463 – São Cristovão x Copacabana/Siqueira Campos
472 – Triagem x Leme pool com Braso Lisboa
548 – Metrô Botafogo x Alvorada
553 – Rio Sul x Recreio
955 – Maré x Recreio
957 – Maré x Alvorada
TODAS AS LINHAS DA VILA ISABEL 🟥
102 Rodoviária x Jardim de Alah
163 – Terminal Gentileza x Copacabana
222 – Vila Isabel x Gamboa
432 – Vila Isabel x Gávea
433 – Vila Isabel x Copacabana
438 Vila Isabel x Leblon
548 – Integrada 3 – Metrô Botafogo x Terminal Alvorada
Plano operacional da prefeitura
475 (LECD133) – Metrô São Cristóvão x Leblon
111 (LECD134) – Central do Brasil x Leblon
014 (LECD135) – Paula Matos x Central do Brasil
Linha 109 – teve o ponto final transferido do Santo Cristo para o Terminal Gentileza.
O bairro do Santo Cristo segue sendo atendido pela linha 157 (Santo Cristo x Gávea
Linha LECD128 (que passa a operar com o numeral 162) – terá o itinerário alterado do Leblon para o Alto Gávea, com trajeto realizado via Elevado Paulo de Frontin.
Linha 456 – teve o itinerário ajustado e passa a operar via Túnel Noel Rosa, Vila Isabel e Estácio.
LECD129 (Terminal Alvorada – Central do Brasil): Criada especificamente como alternativa direta à linha 309 (e 548).
LECD128 (Terminal Gentileza – Leblon): Criada como alternativa às linhas 110, 112 e SV112, ajudando a absorver passageiros da Real Auto Ônibus e Vila Isabel, que também atendiam o eixo da 309.
Outra empresa que poderá deixar de operar é a Transporte Paranapuan, que liga a Ilha do Governador ao centro e zona norte do Rio. O limite para que a empresa deixe de operar está marcado para setembro deste ano. A empresa de 75 anos de idade, também vem sofrendo com uma grande crise financeira, há pelo menos 15 anos e as principais reclamações de seus usuários, é a má qualidade na prestação do serviço. Ainda não há um nome de uma substituta, pois o Rio passará por uma nova reestruturação no sistema de ônibus municipais. E deverá acontecer nos próximos meses.







