O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Emmanuel Macron, conversaram por telefone na manhã desta terça-feira (27) sobre temas centrais da agenda internacional, com destaque para a proposta de criação do chamado Conselho da Paz, idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e para o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
Segundo informou o Palácio do Planalto, o telefonema durou cerca de uma hora. Na conversa, Lula e Macron defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e concordaram que qualquer iniciativa relacionada à paz e à segurança internacionais deve estar alinhada aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios estabelecidos na Carta da ONU.
O Conselho da Paz foi proposto por Trump com o objetivo, segundo ele, de pacificar e reconstruir a Faixa de Gaza. Lula foi convidado a integrar o colegiado, mas ainda não respondeu formalmente ao convite. Na semana passada, durante evento em Salvador, o presidente brasileiro criticou a iniciativa, afirmando que Trump estaria tentando criar uma “nova ONU” sob seu controle. A França também recebeu convite, mas já manifestou oficialmente a recusa em participar.
Nas últimas semanas, Lula tem intensificado o diálogo com líderes globais, em uma sequência de telefonemas com chefes de Estado e de governo, entre eles Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Recep Tayyip Erdogan (Turquia), Gustavo Petro (Colômbia), Narendra Modi (Índia), Pedro Sánchez (Espanha), Mark Carney (Canadá) e Claudia Sheinbaum (México). Na segunda-feira (26), o presidente brasileiro conversou diretamente com Donald Trump, ocasião em que sugeriu que o Conselho da Paz incluísse um assento para a Palestina e se restringisse às discussões sobre Gaza. Também ficou acertada uma visita de Lula aos Estados Unidos ainda em 2026, em data a ser definida.
Venezuela em pauta
Durante o telefonema, Lula e Macron também trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. De acordo com o Planalto, ambos condenaram o uso da força em violação ao direito internacional e destacaram a importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no cenário global.
O tema ganhou relevância após a ação militar dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, quando o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para território norte-americano. Desde então, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando do país.
Acordo Mercosul–União Europeia
Outro ponto central da conversa foi o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Lula reafirmou a Macron que considera a parceria positiva para ambos os blocos e uma contribuição relevante para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras.
O acordo foi assinado em 17 de janeiro, após 26 anos de negociações. No entanto, o Parlamento Europeu decidiu, no dia 21, solicitar ao Tribunal de Justiça da União Europeia uma avaliação jurídica do texto, o que, na prática, suspende o processo de implementação. A expectativa é que o parecer do tribunal leve cerca de dois anos.
A França figura entre os países que resistem à ratificação do acordo, alegando que ele pode prejudicar a agricultura local ao gerar concorrência considerada desleal com produtos do Mercosul.
Ao final da conversa, Lula e Macron também abordaram a agenda bilateral e se comprometeram a concluir negociações em andamento para a assinatura de novos acordos ainda no primeiro semestre de 2026. Segundo o Planalto, os dois presidentes mantêm diálogo frequente, especialmente sobre cooperação nas áreas de defesa, ciência e tecnologia e energia.







