
Entre a reverência à ciência e a exaltação do samba de raiz, o Camarote Favela consolidou sua posição como um dos espaços mais emblemáticos da Marquês de Sapucaí no Carnaval deste ano. Ao longo de seis noites — do Grupo de Acesso ao Grupo Especial — o espaço reuniu cerca de 9 mil pessoas e reafirmou sua proposta de celebrar a favela como berço cultural do maior espetáculo da Terra.
Sob a liderança da CEO Gabriela Lopes, o camarote completa três anos de uma nova fase administrativa, marcada pelo discurso de valorização dos profissionais que constroem o carnaval nos bastidores.
“Nosso Camarote tem a missão de potencializar o talento dos profissionais de Carnaval. Os alfaiates, as costureiras, os sambistas, rítmistas. São eles que fazem o maior espetáculo da terra”, destacou a gestora, reforçando o compromisso com a cadeia produtiva das escolas.

A cientista que virou símbolo
Um dos momentos mais emblemáticos da edição foi a presença da neurocientista Tatiana Sampaio, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Responsável por estudos sobre a polilaminina — substância que apresenta resultados promissores na recuperação de movimentos após lesões completas na medula — Tatiana foi recebida com entusiasmo pelos foliões.

Discreta, ela minimizou o status de celebridade momentânea. “Sou tímida, não tenho a pretensão de ficar conhecida, apenas quero fazer o meu trabalho”, afirmou, antes de pedir, animada, para acompanhar o show de Diogo Nogueira. A cena sintetizou o espírito do espaço: ciência e samba dividindo a mesma pista de dança.
Shows e vozes da comunidade
A programação musical foi outro destaque. O veterano Moacyr Luz levou ao camarote a energia do tradicional Samba do Trabalhador. A cantora Lexa e o funkeiro Buchecha também incendiaram o público.

Lexa aproveitou para destacar a importância de iniciativas que valorizam a base do carnaval. “Numa época onde cargos no Carnaval são negociados numa espécie de leilão. Tendo os valores como princípio e não o talento, é incrível estar num camarote que se inspira e fala sobre a base do samba e do Carnaval, que é Favela. Enaltecer os profissionais das comunidades, que são quem, de fato, fazem o maior espetáculo da terra acontecer, é muito importante”, avaliou.
Famosos e novos ciclos

O camarote também foi ponto de encontro de artistas e comunicadores. O ator Jonathan Azevedo marcou presença em todos os dias de desfile e elogiou a estrutura. “É confortável, organizado e perfeito para assistir às escolas com tranquilidade. Trouxe minha família porque aqui nos sentimos em casa”, afirmou.
Já a apresentadora Cariúcha celebrou sua nova fase profissional à frente do programa “SuperPop”, da RedeTV!, após a saída de Luciana Gimenez. Diretamente do camarote, ela participou ao vivo de um link para a emissora e falou sobre a expectativa de imprimir identidade própria à atração.
O ator Diogo Almeida também esteve no espaço acompanhado dos pais, incluindo Dona Vilma, que ganhou notoriedade nacional ao participar do Big Brother Brasil ao lado do filho.
Números que impressionam
A grandiosidade da operação pode ser medida em números: aproximadamente 4.200 litros de chope, 6 mil açaís, 1.700 caipirinhas e 7 mil unidades de salgadinhos consumidos ao longo da programação. Uma engrenagem que envolveu dezenas de profissionais, da gastronomia à produção artística.
Ao final da última noite, com o público ainda embalado pelo samba e pela vista privilegiada dos desfiles, o Camarote Favela encerrou sua participação no Carnaval com a sensação de dever cumprido. Mais do que um espaço de entretenimento, consolidou-se como vitrine de talentos e ponto de encontro entre tradição, inovação e representatividade. Na Sapucaí, onde cada detalhe conta, o Favela mostrou que sua maior alegoria é a própria comunidade.







