Com nada menos que 35 anos de carreira, Délcio Luiz segue colhendo os frutos de sua trajetória no pagode, tanto como cantor quanto compositor e atravessa um período intenso e simbólico de sua trajetória. Delcio embarca neste fim de ano para mais uma turnê internacional na Europa. Dessa vez, vai passar por cinco cidades – Wünnewil-Flamatt/Suíça Paris/França, Lisboa/Portugal, Porto/Portuga e Milão/Itália, com apresentações entre 13 e 21 de dezembro. De olho em 2026, conta as novidades que está preparando para o próximo ano, como a estreia de seu novo show, “Caminho Retrô”, uma apresentação com palco 360º que promete revisitar clássicos do samba e celebrar sua obra em mais de 3 horas de apresentação.
Délcio Luiz, que é fundador do grupo Kiloucura e já integrou formações históricas como Fundo de Quintal e Grupo Raça, é autor de mais de 600 músicas, composições eternizadas por artistas como Molejo, Exaltasamba, Alcione, Thiaguinho, Belo e Péricles. Entre seus sucessos estão clássicos como “Cilada”, “Marrom Bombom”, “Meu Casamento”, “Gamei” e “Paparico”, que ganhou versão em espanhol gravada por Julio Iglesias, intitulada “Mamacita”.
O cantor conversou com exclusividade com o Expresso Carioca e contou sobre o atual momento da carreira: “É sempre muito bom fazer turnê lá fora. A galera sente saudade, tem uma energia única, aquele abraço de reencontro”, conta ele, fazendo memória às as viagens iniciadas ainda nos anos 1990, quando integrou o Grupo Raça e levou o pagode para fora do Brasil pela primeira vez.
Délcio destaca que o público internacional mistura brasileiros residentes e moradores locais curiosos pelo samba: “É um outro público, mas ao mesmo tempo é muita gente de casa. A vibe lá em cima faz a gente cantar com ainda mais vontade”.
Dono de uma das obras mais populares do pagode, Délcio leva para a Europa um repertório de sucessos que marcaram gerações.
“Eu canto Molejo, Exaltasamba, Raça… praticamente 99% do repertório é meu. E ver a galera cantar tudo é o mais gostoso para quem é compositor”, diz ele.
Os shows costumam ter um tempo pré-definido, como de praxe, mas Délcio confessa que quase sempre se empolga: “Quando o público lembra de alguma música que não está no repertório, eu improviso e canto. Eu olho nos olhos, a galera dança comigo. Eu gosto desse contato”.
De volta ao Brasil, o cantor encerra o ano com show de Réveillon em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. “Todo mundo de branco, recebendo 2026 com energia positiva. O público da Zona Oeste é muito acolhedor”, diz animado.
Ao ser convidado a resumir o ano em uma palavra, Délcio não hesita:
“Amor. A gente precisa praticar mais o amor. A música tem esse poder de unir, emocionar, alegrar.” E relembra ainda o convite de Ivete Sangalo para cantar A Carta durante sua turnê de samba, “Ivete Clarerou”, no Rio de Janeiro: “A Ivete cantou a música praticamente para mim no palco. Ela disse que ‘A Carta’ é a melhor música da turnê, me arrepiei todo”, relembra. A troca rendeu frutos: “Tô preparando uma música inédita pra ela. A própria Ivete pediu”, adianta, animado.
Novo ano, novo show: “Caminho Retrô”
O grande projeto para 2026 já está em fase final de criação: a turnê “Caminho Retrô”, com estreia prevista para abril, promete revisitar os clássicos da carreira do artista e do pagode, em um show preparado em formato 360º e com mais de 3 horas de duração. “Quero fazer horas seguidas de samba, cantando clássicos do pagode e também sucessos de grupos como Só Pra Contrariar e Negritude Júnior”, explica. E o palco vai ser 360º, eu amo palco 360. A gente fica mais próximo do público”.
Delcio revelou ainda que está com negociações avançadas para uma série de apresentações nos Estados Unidos em janeiro.







