Empatia, conexão e autenticidade marcaram o primeiro dia do Rio Innovation Week (RIW) nesta terça-feira (12), especialmente durante a aguardada palestra de Daniel Goleman, psicólogo, escritor e referência mundial em inteligência emocional. Autor do best-seller “Inteligência Emocional” — obra que redefiniu o conceito de inteligência e é reconhecida por veículos como Financial Times e Wall Street Journal —, Goleman afirmou que, embora a inteligência artificial já supere os humanos em diversas tarefas, jamais ultrapassará o campo das emoções.
Diante de uma plenária lotada, o “pai da inteligência emocional” explicou o funcionamento do cérebro sob o impacto das emoções e ressaltou a importância do equilíbrio emocional, da atenção plena e do foco no presente. Provocado pelo físico Marcelo Gleiser, Goleman destacou que habilidades como intuição e aprendizado social são frutos de experiências de vida e, portanto, exclusivas da condição humana.
“A inteligência emocional é definidora para o desempenho profissional e pessoal. A IA não tem o repertório que nos permite compartilhar o mundo com as pessoas. Quanto mais a tecnologia avança, mais relevante se torna a inteligência emocional”, afirmou.
Com bom humor, arrancou risos ao dizer que prefere “conviver com o Dalai Lama do que com o Elon Musk”, reforçando que conexões verdadeiras não dependem de status, mas de habilidades emocionais.
Brasil, 3º no mundo em uso do ChatGPT
A inteligência artificial também foi tema da mesa “Regulação Inteligente: IA, democracia e responsabilidade”, com participação de Nicolas Robinson Andrade (OpenAI), Natalia Paiva (Mover) e Lorena Botelho (Urbano Vitalino Advogados). Nicolas destacou que o Brasil é o terceiro país com mais usuários de ChatGPT no mundo e citou o uso da ferramenta pelo governo do Tocantins para resolver problemas complexos. O painel discutiu a necessidade de equilibrar incentivo à inovação com regulamentação adequada.
Empatia como transformação social
Outro momento de destaque veio com o psicofarmacologista Rick Doblin, fundador da MAPS, que defendeu o uso medicinal de psicodélicos como ferramenta para criar uma sociedade mais compassiva e conectada. Segundo ele, “uma população que age com mais empatia não se deixa manipular por maus governantes”.
O tema da autenticidade também esteve presente na palestra “Conectar para pertencer: comunicação genuína e comunidade em tempos de desconexão”, com Mari Lima e Gil do Vigor. O economista e influenciador relatou sua experiência de criar conteúdos reais e iniciativas de apoio educacional que já ajudaram 26 jovens a ingressar em universidades públicas.
O painel “Da influência ao Equity” reuniu Felipe Titto e Camila Farani para discutir estratégias de construção de comunidades e senso de pertencimento entre marcas e consumidores.
Próximas atrações
O RIW prossegue nesta quarta-feira (13) com uma programação que inclui palestras de John Maeda (Microsoft), Marcelo Rubens Paiva, Luiz Felipe Pondé, Ney Matogrosso e James Daniel, que abordará avanços em computação quântica.







