
A atriz Cyda Moreno desde domingo já está no ritmo do carnaval no Rio de Janeiro. Antes de desfilar pela Unidos da Tijuca, a mineira com alma carioca esquentou os tamborins no cortejo do Cordão do Boitatá comemorando 30 anos de história. “O bloco é a essência do carnaval de rua do Rio” – comenta a artista.

Apaixonada pela Unidos de Padre Miguel, sua felicidade é completa no carnaval 2026 com o convite que recebeu para desfilar na sexta-feira (13/2) pela escola da série ouro na Marquês de Sapucaí, com o enredo “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”, do carnavalesco Lucas Milato. Ela vai ser a quinta a entrar na avenida
“Todos sabem da minha paixão pela UPM. São anos acompanhando de perto os seus desfiles. Como o universo conspira, vou desfilar pela primeira vez na escola, mas esperando que venham outras oportunidades. Sou grata pelo acolhimento da diretoria e toda comunidade da Vila Vintém” – ressalta.
Estreia de Cyda Moreno em carro alegórico na Sapucaí
Mas a grande expectativa de Cyda Moreno é viver a escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977) no maior palco a céu aberto, após o seu sucesso interpretando a “Vó Yara” na novela Dona de Mim (TV Globo). Nesta semana, ela esteve no barracão da escola do Borel e se encontrou com a diretora de carnaval Elisa Fernandes para realizar o acerto dos últimos detalhes do seu desfile como destaque no terceiro carro.
Tudo lindo! Eu venho numa sacada representando a Carolina. Vou atuar como a escritora mais velha, revendo sua história. Ela é um exemplo de força, resistência e superação do racismo, da miséria e da exclusão. O desfile exaltará as mulheres negras, centenas de ‘Carolinas’ que lutam contra a fome, por respeito, por dignidade e pelos direitos de cidadãs – explica Cyda.
A escola de samba tijucana com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, assinado pelo carnavalesco Edson Pereira, faz justa homenagem à grande escritora negra brasileira do século XX. Figura conhecida mundialmente por seu best-seller “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” (1960). Uma obra traduzida para mais de 13 idiomas.
Do teatro para o Sambódromo
Cyda acredita que o desfile da Unidos da Tijuca será histórico e necessário, quando Carolina ainda é pouco conhecida no Brasil, principalmente, pela população negra. A atriz interpretou no teatro a escritora e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, que transformou sua verdade periférica e luta contra a fome e a pobreza em literatura. O espetáculo “Eu Amarelo, Carolina Maria de Jesus” ficou em cartaz 6 anos consecutivos. Da estreia no Rio de Janeiro em 2018 seguiu se apresentando por várias cidades brasileiras do sudeste e nordeste do Brasil.







