A crescente demanda de energia elétrica no Paraguai — impulsionada pelo avanço de data centers, servidores de inteligência artificial e mineração de criptomoedas — está levando a direção da usina hidrelétrica de Itaipu Binacional a estudar a instalação de duas novas turbinas geradoras.
A usina, que responde por cerca de 9% da energia consumida no Brasil, já tem espaço físico previsto para a ampliação, que representaria um acréscimo de até 10% em número de turbinas. Atualmente, Itaipu opera com 20 unidades, cada uma com potência de 700 megawatts (MW), totalizando 14 mil MW instalados.
“É inevitável, isso vai ocorrer”, afirmou o diretor-geral brasileiro, Enio Verri, ao comentar a necessidade futura de expansão. Ele ressalvou, porém, que o projeto ainda depende de estudos técnicos, sociais, ambientais e econômicos, além de um novo acordo entre os governos de Brasil e Paraguai.
Consumo paraguaio em alta
Desde que entrou em operação, em 1985, a energia gerada por Itaipu tem sido majoritariamente consumida pelo Brasil, mas essa participação vem caindo ao longo das décadas. Em 2024, o Brasil absorve 69% da produção, e o Paraguai, 31%.

Projeções da Administradora Nacional de Eletricidade (Ande) paraguaia indicam que o país alcançará consumo equivalente a 50% da produção da usina já em 2035. Só no último ano, a demanda paraguaia cresceu 14%, segundo o diretor-técnico paraguaio de Itaipu, Hugo Zárate.
Além do aumento do consumo interno, a partir de 2027 o Paraguai terá mais liberdade para comercializar sua parte da energia no mercado livre brasileiro ou com terceiros, reduzindo ainda mais o volume disponível ao Brasil no atual modelo.
Ampliação planejada
A estrutura atual da barragem já prevê espaço para mais duas unidades, o que facilitaria a obra física. Mas a direção da usina reforça que isso não significa automaticamente um aumento proporcional da capacidade instalada, pois fatores técnicos e avanços tecnológicos podem alterar a produtividade.
Verri também afastou a associação do projeto a uma eventual elevação do nível do reservatório, explicando que não se pretende ampliar a área alagada.
O custo, por sua vez, ainda não está equacionado. Segundo o diretor, o investimento seria financiado por empréstimos de longo prazo, eventualmente pagos por uma taxa embutida nas tarifas de energia elétrica.
Binacionalidade e longo prazo
Criada em 1974, Itaipu é gerida em igualdade por Brasil e Paraguai, que dividem a energia e a tomada de decisões. Para viabilizar a ampliação, será necessário um novo entendimento entre os governos e parlamentos dos dois países.
“No setor de energia, não existe curto prazo. Estamos discutindo só a data em que estaremos maduros o suficiente para esse investimento”, disse Verri.
Ele pondera que, mesmo com a redução da energia importada de Itaipu, o Brasil tem ampliado sua capacidade por outras fontes renováveis, como solar e eólica, especialmente no Nordeste.







