No painel mais disputado do primeiro dia do Rio2C 2025, os jornalistas César Tralli e Renata Lo Prete, dois dos principais nomes do telejornalismo brasileiro, refletiram sobre a importância da confiança na comunicação e os desafios enfrentados pelo jornalismo em tempos de fake news e inteligência artificial.

A conversa, sem mediação, integrou a programação do Summit Acontece Globo, que celebra os 100 anos de fundação do jornal O Globo. Antes do bate-papo, um vídeo lembrou momentos marcantes da emissora no combate à desinformação, incluindo o desabafo de William Bonner, no Jornal Nacional, sobre as fake news relacionadas às vacinas durante a pandemia.
Renata Lo Prete destacou que a confiança é um patrimônio construído ao longo do tempo. “Confiança não é cheque em branco, nem se constrói da noite para o dia. É um patrimônio que precisa ser cuidado o tempo inteiro”, afirmou. Para ela, o público permanece fiel quando percebe o esforço do jornalista em acertar e a humildade de admitir erros.
Ela ainda citou pesquisa da Universidade de Harvard, segundo a qual o público valoriza mais a transparência e ética do jornalista do que a sua onisciência. “O público quer que sejamos claros sobre o que sabemos e o que ainda estamos apurando.”
César Tralli abordou o desafio tecnológico: “Hoje não basta dizer que uma informação é falsa; é preciso mostrar como foi criada a falsificação.” O jornalista revelou que a equipe do Jornal Hoje utiliza 19 softwares de checagem, em diferentes países, para verificar a autenticidade de fotos, vídeos e áudios.
Ele também destacou a fragmentação da informação, impulsionada pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, e lembrou que desde 2018 o projeto Fato ou Fake já realizou mais de 5 mil checagens. “Somos carrascos de nós mesmos na busca incessante por fazer o melhor”, declarou Tralli, há 32 anos na Globo.

A dupla defendeu a isenção como valor fundamental. Lo Prete enfatizou: “Isenção não é defeito, é nossa capacidade de manter distância crítica dos interesses em conflito.” Ela completa 40 anos de carreira em 2025.
Durante o painel, Tralli citou como exemplo do rigor jornalístico a cobertura do recente conclave que elegeu o Papa Leão XIV. “Tínhamos prontos perfis de 37 papáveis, produzidos desde 2023, quando o Papa Francisco começou a apresentar problemas de saúde”, revelou, ressaltando o preparo e a antecipação como marcas do jornalismo profissional.
O Rio2C 2025 segue até 1º de junho, reunindo líderes de diversas áreas para discutir os rumos da inovação e da economia criativa.







