“Maria Jerônima apressou o passo na beira do caminho, quando, de repente, surgiu o Coronel montado em seu cavalo, desta vez com a aparência do anjo das trevas. Vestido de preto, coberto por lama e por luto, tinha o olhar perdido de um homem louco. Ele desmontou e veio em sua direção. Ela não recuou. O coração parecia que ia estourar, de tanta força que batia. Ainda assim, não arredou pé. Imóvel, encarando-o, os olhos verdes, cor de jade, ou da cor de titica de papagaio, que, por causa da chuva e dos sentimentos desencontrados que lhe cruzavam o peito, adquiriram o brilho de duas turmalinas”.

“Campo Formoso” é um romance que tem como base, histórias sobre a família da autora Maria Victoria Oliveira. Através de personagens complexos e uma narrativa que alterna perspectivas e incorpora elementos de realismo mágico, o livro explora temas universais como família, identidade, superação e o peso do passado. Uma verdadeira saga, escrita ao longo de oito anos, que teve noite de lançamento, via Editora Lacre no dia 8/7 na na Livraria Argumento.
A narrativa mergulha na complexa história da família Borges, em Campo Formoso, uma cidade no Planalto Central que espelha o interior do Brasil. A trama central gira em torno do Coronel Adauto Borges e sua esposa Maria Pia. O casamento é abalado pela chegada de Bento, filho ilegítimo do Coronel, personagem principal do livro. Ao longo de suas 460 páginas, a obra apresenta uma prosa rica, em que a autora alterna perspectivas para revelar as múltiplas faces da verdade: da rigidez do Coronel até a resistência silenciosa da esposa e a busca de identidade do filho bastardo. A trama é marcada por um ato simbólico de ruptura com o passado e celebração das transformações que o tempo impõe.
O romance é inspirado em histórias que Victoria escutou do seu pai, Benedicto, neto bastardo de um coronel em Goiás. Embora o livro seja uma obra de ficção, incorpora elementos verídicos, como a infância, a história da fazenda Fim do Mundo e sua viagem aos Estados Unidos. A autora criou personagens baseados em parentes, mas com características e experiências ficcionais.
“A escrita do livro foi um processo aleatório e orgânico, sem um roteiro pré-definido. Tinha momentos em que parecia que o livro se escrevia sozinho, com capítulos surgindo inesperadamente. A revisão do texto se tornou minha obsessão, reduzi um manuscrito inicial de mais de 700 páginas para a versão final de 460 páginas”, destaca Maria Victoria.







