O Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançou nesta segunda-feira (12), no Rio de Janeiro, uma nova etapa da campanha “Sem racismo o carnaval brilha mais”, com o objetivo de valorizar a cultura negra, combater práticas racistas e conscientizar foliões sobre discriminação, injúria racial e estereótipos ofensivos durante a maior festa popular do país.
A ação utiliza materiais educativos, como adesivos e leques, para alertar que ofender alguém pela cor da pele configura injúria racial e que fantasias estereotipadas — como “nega maluca” ou representações caricatas de povos indígenas — não condizem com um carnaval diverso e respeitoso.
“Não cabem mais fantasias depreciativas sobre a cultura negra, religiões afro, personagens negras, muito menos mulheres negras. Isso não dá mais”, afirmou à Agência Brasil o secretário de Combate ao Racismo do MIR, Tiago Santana. Segundo ele, a campanha enfrenta tanto agressões diretas quanto práticas simbólicas que transformam a estética negra, como o cabelo, em alvo de chacota.
Ampliação nacional em 2026
Após circular majoritariamente nas mídias digitais em 2025, a campanha ganha maior dimensão em 2026, com ações presenciais no carnaval de rua, blocos, bailes, desfiles das escolas de samba e na Marquês de Sapucaí. A iniciativa também será realizada na Bahia e em 30 municípios que integram o Programa Juventude Negra Viva.
O material educativo será distribuído a partir do próximo sábado (17) até os últimos dias da folia. A campanha também incentiva que vítimas de racismo façam denúncias pelo Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ou pela Ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial (ouvidoria@igualdaderacial.gov.br), que prestam orientação e apoio para formalização das ocorrências.
Parceria com a Liga RJ e presença na Sapucaí
Um dos principais diferenciais desta edição, no Rio, é a parceria com a Liga RJ, responsável pela organização dos desfiles da Série Ouro. A entidade irá distribuir o material educativo durante ensaios técnicos e apresentações na Sapucaí. No dia 13 de fevereiro, abertura oficial da competição, o ministério desfilará com uma faixa, ao lado de ativistas, lideranças e representantes das escolas de samba.
“Vamos sinalizar que eventuais racistas não são invisíveis e que haverá pressão para que atos criminosos sejam responsabilizados”, destacou Tiago Santana, ressaltando que a denúncia é um dos pilares da Política Nacional de Igualdade Racial.
Resgate da centralidade negra no carnaval
Além do enfrentamento direto ao racismo, a campanha também busca reafirmar o protagonismo das pessoas negras na construção histórica do carnaval. Segundo o secretário, existe hoje um processo de embranquecimento e apagamento da presença negra na festa, o que também se reflete em debates recentes sobre a composição majoritariamente branca de parte dos jurados dos desfiles cariocas.
Em nota, a ministra Anielle Franco destacou que o carnaval é diversão, mas também respeito: “Lançamos essa campanha para cuidar e respeitar as mãos negras de quem faz acontecer e também se diverte no maior espetáculo da terra. O carnaval é cultura, arte, resistência e resiliência”.
O Ministério da Igualdade Racial espera que outras instituições, blocos, escolas de samba e veículos de comunicação aderiam à iniciativa, ampliando a circulação do material e fortalecendo a mensagem de que um carnaval sem racismo é um carnaval mais brilhante para todos.







