Entrar na Marquês de Sapucaí em noite de desfile é sempre impactante. Mas, neste Carnaval de 2026, ao vivenciarmos o Camarote Nº1 em sua 35ª edição, percebemos que a experiência ia além da festa: tratava-se de um projeto estruturado como plataforma cultural e de negócios, com identidade clara e narrativa bem construída.
Instalado em quase 4 mil metros quadrados do Setor 2, o espaço funcionou nos dias 15, 16, 17 e 21 de fevereiro, reunindo cerca de 3 mil convidados por noite. Sob o conceito “Brasil Com S”, inspirado na valorização de referências nacionais e na estética “Brasilcore”, o Camarote propôs uma leitura contemporânea da brasilidade — e nós acompanhamos de perto como essa proposta se materializou.
A avenida como protagonista
Apesar da estrutura grandiosa, o foco permaneceu onde sempre deveria estar: nos desfiles. Do “janelão” do primeiro andar, tivemos visão privilegiada das escolas de samba cruzando a avenida. A sensação era de estar dentro e fora do espetáculo ao mesmo tempo — protegidos pela estrutura premium, mas conectados diretamente ao som da bateria e à vibração da arquibancada.
Percebemos que a cenografia, os conteúdos digitais e até a programação musical dialogaram com o que acontecia na pista. Não houve competição com o desfile; houve reverência.
Um line-up que percorreu o Brasil musical
A curadoria artística reforçou o discurso do “Brasil Com S”. O samba abriu caminho com Dudu Nobre, que comandou o palco principal nas quatro noites. No Baile Funk Nº1, nomes como Tati Quebra Barraco, Naldo, Bonde do Tigrão e Furacão 2000 transformaram a madrugada em pista pulsante.

Também acompanhamos apresentações de música eletrônica, com DJs como Vintage Culture e o duo ANOTR, ampliando o diálogo com o público internacional que circulava pelo espaço. A mistura de ritmos não pareceu aleatória: refletiu o mosaico cultural brasileiro que o conceito defendia.
Gastronomia pensada para diferentes ritmos

Ao longo das noites, testamos a proposta gastronômica comandada pelo chef Viko Tangoda, responsável pela operação há 25 anos. O modelo de cardápios alternados entre os dias garantiu variedade — algo perceptível para quem acompanhou mais de uma noite de evento, como foi o nosso caso.
No primeiro andar, petiscos e releituras de clássicos brasileiros facilitaram a dinâmica de quem não queria perder um minuto do desfile. No segundo, encontramos pratos mais elaborados, estações de massas, assados e sobremesas autorais que convidavam a uma pausa estratégica. Já na reta final da madrugada, os caldos servidos a partir das 5h cumpriram o papel de reconfortar antes do amanhecer.
A proposta funcionou: havia opções tanto para quem buscava rapidez quanto para quem desejava transformar a refeição em experiência.
Vitrine de marcas e novo momento
Também observamos como o Camarote Nº1 consolidou-se como vitrine estratégica para o mercado. Marcas como Colcci, Pernod Ricard, Havaianas, BYD e Brahma estiveram presentes com ativações e espaços proprietários, reforçando a dimensão de brand experience do projeto.
A entrada de Sabrina Sato e Karina Sato no quadro societário marcou um novo momento. Sabrina, que assumiu o posto de Rainha do Nº1, imprimiu ao espaço uma imagem ainda mais associada ao glamour e à força midiática do Carnaval.
Entre análise e folia
Como jornalistas, acompanhamos a engrenagem que movimentou artistas, patrocinadores, chefs e produtores em uma operação de alta complexidade. Como foliões, vivemos a experiência sensorial completa: música alta, luzes vibrantes, encontros inesperados e o som inconfundível das baterias ecoando madrugada adentro.
Os ingressos garantiram open bar e open food, mas o que testemunhamos foi mais do que isso: um projeto que soube transformar 35 anos de história em narrativa estratégica.
Ao final das quatro noites, a sensação foi clara: o Camarote Nº1 conseguiu celebrar o Brasil sem perder de vista o coração da festa. Porque, mesmo dentro de uma estrutura premium, o que realmente fez a diferença continuou sendo o mesmo de sempre — o desfile das escolas de samba iluminando a avenida.







