A criação do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, lançada nesta quarta-feira (27) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi recebida com emoção por familiares que há anos convivem com a dor da ausência. A plataforma, disponível em cndp.mj.gov.br/painel-publico, reúne dados de desaparecidos em um único sistema, facilitando o acesso a informações e integrando diferentes bases de dados.
Entre as presenças, estava Ivanise da Silva Santos, fundadora da Associação Mães da Sé, que procura a filha Fabiana desde 1995, desaparecida aos 13 anos em São Paulo. “Hoje eu estou aqui em estado de graça porque finalmente a gente vai poder comemorar o marco inicial de uma luta que eu carrego há quase 30 anos”, afirmou.
Em 2024, o Brasil registrou 81.022 desaparecimentos, dos quais 55.159 foram resolvidos ─ taxa de localização de 68%. A expectativa é de que o cadastro aumente as chances de encontrar pessoas com vida.
Como funciona a plataforma
O sistema conta com duas frentes principais:
- Painel público: aberto à sociedade, exibe casos concretos, com fotos e informações gerais.
- Banco restrito: exclusivo para órgãos de segurança, com dados detalhados e documentos completos para auxiliar nas investigações.
A diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Figueiredo, destacou que a iniciativa também busca acabar com protocolos que exigem esperar 48 horas antes de registrar o desaparecimento. “Quanto antes o Estado souber, maior a chance de localizar essas pessoas com vida”, ressaltou.
Um passo histórico
O chefe da delegação regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Nicolas Olivier, classificou o cadastro como “um verdadeiro sistema de gestão de informações”, capaz de cruzar dados e fortalecer políticas públicas. Já o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Luiz Sarrubbo, admitiu que o país tem “um grande débito com as famílias de desaparecidos”.
Histórias como a da brasiliense Kátia Liberato, que procura a mãe desaparecida desde 1999, reforçam a importância da iniciativa. “Esse cadastro unificado renova minhas esperanças. Eu ainda penso em encontrar minha mãe”, disse.







