Em um cenário onde startups são celebradas como o ápice da inovação, cresce também uma crise silenciosa: o esgotamento mental. O Brasil, líder mundial em transtornos de ansiedade segundo a OMS, registrou em 2023 mais de 472 mil licenças médicas por questões de saúde mental — um salto de 67% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Previdência. É nesse contexto alarmante que surge a proposta da Gål Escritório de Projetos: aplicar neurociência comportamental à gestão para criar ambientes de trabalho mais saudáveis e eficazes.

Gabriela Loppes, diretora da Gål e especialista certificada em NeuralPlan®, apresenta no Web Summit Rio 2025 a metodologia que pode redefinir como lidamos com projetos. “As empresas estão adoecendo. E é porque, muitas vezes, a forma como organizamos o trabalho vai contra a nossa biologia”, afirma.
O Que é o NeuralPlan®?
Desenvolvido com base em estudos norte-americanos, o NeuralPlan® é uma abordagem de gestão comportamental que reconhece os limites e capacidades do cérebro humano. “A gente vive com excesso de estímulo, pressão por prazos e mudanças constantes. O cérebro cria atalhos mentais para lidar com tudo isso, mas chega um ponto em que ele não dá conta”, explica Gabriela.
A metodologia busca minimizar essa sobrecarga por meio de “workflows neuro-amigáveis” — fluxos de trabalho mais claros, eficientes e adaptados ao funcionamento mental das equipes. A proposta é colocar as pessoas no centro da gestão de projetos, ao invés de forçá-las a se encaixar em modelos rígidos e desumanizados.
Benefícios Comprovados
A Gål já aplicou a metodologia em diferentes organizações, com resultados promissores:
- Redução de até 21% nos custos operacionais
- Aumento de 80% na taxa de entrega de projetos no prazo
- Maior engajamento e bem-estar das equipes
Além disso, a metodologia pode ser implementada por meio de treinamentos e simulações de cenários — inclusive com o uso de jogos lúdicos que ensinam conceitos como viés cognitivo e heurísticas, tornando a neurociência mais acessível.
Gestão com Consciência Social
Segundo Gabriela, o impacto da má gestão vai além dos muros da empresa: “A saúde mental precária das equipes sobrecarrega o sistema de saúde pública. Se quisermos soluções sustentáveis, precisamos repensar a forma como trabalhamos.”
Ela também destaca a importância de considerar fatores sociais como classe, gênero e deslocamento. “Quem mora longe chega mais cansado. Quem sofre discriminação, carrega mais peso. Tudo isso afeta o desempenho e a saúde.”
O Futuro do Trabalho É Humano
Em um ambiente como o das startups, onde a inovação é constante e a cobrança por resultados é implacável, adotar práticas mais conscientes pode ser a chave para a sobrevivência. “Tecnologia avança rápido, mas nossa cultura de trabalho ainda é arcaica. Está na hora de evoluir também nesse aspecto”, defende Gabriela.
No Web Summit Rio, a Gål Escritório de Projetos lança um convite: discutir não apenas o futuro do trabalho, mas o futuro da saúde no trabalho.







