Cerca de 5 mil mulheres indígenas de todos os biomas brasileiros se reuniram em Brasília para a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, iniciada na noite desta segunda-feira (4). O encontro serve como espaço de denúncia e mobilização, destacando os desafios enfrentados por comunidades afetadas por garimpo ilegal, agrotóxicos e retrocessos na demarcação de terras.
A matriarca Pangroti Kayapó, de 60 anos, viajou mais de 32 horas de São Félix do Xingu (AM) com a neta Nhaikapep, de 22, para participar do evento. Em discurso traduzido do idioma kayapó, ela pediu proteção à natureza, à cultura indígena e às mulheres que seguem ameaçadas em seus territórios.

Cinco ministras participaram da abertura ─ Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Marina Silva (Meio Ambiente), Márcia Lopes (Mulheres), Margareth Menezes (Cultura) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) ─ reforçando políticas de enfrentamento à violência e defesa da floresta.
Guajajara anunciou a criação de um grupo de trabalho interministerial para propor estratégias de proteção às mulheres indígenas. Joênia Wapichana, presidente da Funai, destacou que é preciso ampliar recursos orçamentários para ações de enfrentamento à violência.

Marina Silva afirmou que, apesar da retirada de invasores de oito terras indígenas nos últimos dois anos, “as que menos destruíram são as mais prejudicadas” e pediu políticas públicas que preservem o modo de vida indígena.
A conferência antecede a IV Marcha das Mulheres Indígenas, marcada para quinta-feira (7), e ocorre em meio à expectativa de veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL do Licenciamento Ambiental, aprovado pelo Congresso e criticado por fragilizar a proteção dos povos da floresta.







