Durante visita oficial a Jacarta, na madrugada desta quinta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou uma série de acordos de cooperação com a Indonésia, consolidando uma nova fase nas relações bilaterais entre os dois países. Os memorandos abrangem áreas como agricultura, energia, educação, defesa, ciência e tecnologia, e foram celebrados como um passo decisivo para ampliar a presença de Brasil e Indonésia no cenário econômico global.
Em declaração conjunta, Lula e o presidente indonésio Prabowo Subianto ressaltaram posições alinhadas em temas internacionais sensíveis — da crise humanitária em Gaza à necessidade de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU — e reafirmaram o papel do Brics como voz ativa na defesa dos interesses do Sul Global.

Expansão comercial e cooperação estratégica
Lula destacou que, apesar dos avanços, o intercâmbio econômico entre os dois países ainda está aquém do potencial. “É quase inexplicável que duas nações com quase 500 milhões de habitantes movimentem apenas US$ 6 bilhões em comércio. Podemos e devemos fazer muito mais”, declarou.
O presidente brasileiro afirmou que o objetivo é triplicar o volume comercial, alcançando US$ 20 bilhões nos próximos anos, meta também endossada por Prabowo. “O Brasil é uma força agrícola e a Indonésia uma potência industrial emergente. Essa é uma parceria sinérgica, de países que se completam”, disse o líder indonésio, que anunciou ainda a inclusão do português entre as línguas prioritárias no sistema educacional de seu país.
De acordo com o Planalto, a Indonésia foi o quinto principal destino das exportações do agronegócio brasileiro em 2024, especialmente em soja, carne bovina e milho. Lula ressaltou que os valores são “ainda tímidos diante do potencial de consumo dos nossos povos”.

Alinhamento político e defesa do multilateralismo
Lula e Prabowo afirmaram que Brasil e Indonésia compartilham valores de soberania, diálogo e paz. O presidente brasileiro reiterou sua posição contrária ao genocídio em Gaza e defendeu novamente a solução de dois Estados como única via para o fim do conflito no Oriente Médio.
O petista também voltou a cobrar uma reforma integral da ONU, destacando a “falta de representatividade e paralisia do Conselho de Segurança”. Ambos os líderes reforçaram ainda a importância crescente do Brics e da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada sob a presidência brasileira do G20, que conta com apoio da Indonésia.
“Nós queremos multilateralismo, e não unilateralismo. Democracia comercial, e não protecionismo. Queremos crescer, gerar empregos de qualidade — porque é para isso que fomos eleitos”, afirmou Lula.
O presidente também defendeu a possibilidade de comércio direto em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar. “O século XXI exige coragem para mudar a forma de agir. O Brasil e a Indonésia podem ser pioneiros nesse processo”, disse.
Cooperação em defesa e energia
Entre os novos acordos, um dos principais destaca a cooperação militar. Lula afirmou que o Brasil está disposto a compartilhar sua experiência em tecnologia de defesa e aviação militar.
Na área energética, os dois países discutiram parcerias em mineração e gestão soberana de minerais críticos, fundamentais para a transição energética global. O tema será aprofundado a partir de um memorando assinado entre os ministros de Minas e Energia.
Lula confirma candidatura em 2026

Em meio à agenda diplomática, Lula aproveitou para confirmar publicamente sua candidatura à reeleição em 2026. “Vou disputar um quarto mandato no Brasil. Ainda vamos nos encontrar muitas vezes. Quero continuar trabalhando para que a relação entre Brasil e Indonésia se torne cada vez mais valiosa”, declarou.
A visita encerra mais uma etapa da agenda asiática de Lula, que busca ampliar a presença brasileira em mercados estratégicos e reforçar o papel do país como líder político e econômico do Sul Global.







