O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta terça-feira (6) para uma missão diplomática que inclui visitas à Rússia e à China. O objetivo é ampliar a inserção internacional do Brasil, diversificar parcerias comerciais e reforçar os laços estratégicos com os dois países.
A viagem começa com a participação de Lula nas celebrações do 80º aniversário da vitória soviética sobre a Alemanha nazista, entre os dias 8 e 10 de maio, em Moscou. A convite de Vladimir Putin, o presidente brasileiro assistirá ao tradicional desfile militar na capital russa e terá reuniões bilaterais com o líder do Kremlin e com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico. Estão previstas assinaturas de acordos nas áreas de ciência e tecnologia, com foco em energia e inovação.
Em seguida, Lula segue para Pequim, onde cumpre agenda entre os dias 12 e 13 de maio. Durante a visita oficial, está prevista a assinatura de pelo menos 16 atos bilaterais com a China, além da participação na Cúpula China-Celac — bloco que reúne 33 países da América Latina e Caribe. Segundo o Itamaraty, outros 32 acordos estão em fase de negociação e podem ser incluídos na visita.
“O Brasil e a China têm uma relação altamente institucionalizada, com grande potencial de expansão”, afirmou o embaixador Eduardo Paes Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores. A China é o principal parceiro comercial do Brasil e tem ampliado sua presença no país como investidor em áreas como infraestrutura, energia e tecnologia.
Lula e Xi Jinping se encontrarão pela terceira vez desde o início do atual mandato do brasileiro. O governo aposta em um aprofundamento da cooperação dentro de programas como o Cinturão e Rota, iniciativa estratégica chinesa, e em convergências diplomáticas nas pautas de governança global, multilateralismo e soluções pacíficas para conflitos internacionais.
A delegação brasileira contará com ministros de diversas pastas, entre eles os da Fazenda, Casa Civil, Ciência e Tecnologia, Minas e Energia, além de parlamentares. A ideia é apresentar projetos prioritários de neoindustrialização, transição energética e capacitação tecnológica, atraindo investimentos chineses.
Relações equilibradas
A visita ocorre em meio ao agravamento da disputa comercial entre China e Estados Unidos. Questionado sobre o posicionamento brasileiro, Saboia afirmou que o país busca uma diplomacia equilibrada, sem confrontos. “O Brasil valoriza sua relação com a China, mas também mantém ótimos laços com os Estados Unidos. Não se trata de escolher lados.”
Retorno à Celac
Na China, Lula participa da cúpula com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), bloco ao qual o Brasil retornou em 2023 após três anos afastado. A embaixadora Gisela Padovan destacou a importância do encontro para a integração regional e o protagonismo brasileiro nas articulações políticas e comerciais do continente.







