O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) revelou neste sábado (6) que o cabo que unia as duas cabines do Bondinho da Glória rompeu no ponto de fixação do vagão que descarrilou na última quarta-feira (3), em Lisboa. O acidente deixou 16 mortos e 22 feridos.
De acordo com a Nota Informativa (NI), o rompimento ocorreu no trambolho — peça de encaixe superior da cabine nº 1, que partiu do cume da Calçada da Glória. O restante do sistema, incluindo volante de inversão e polias, estava lubrificado e sem anomalias aparentes, segundo os peritos.
O cabo usado no bondinho, de 32 milímetros de diâmetro e capacidade de carga de 68 toneladas, estava instalado havia 337 dias e tinha vida útil prevista de 600 dias, ou seja, ainda restavam 263 dias até a substituição programada.
A investigação também destacou que a manutenção do sistema é terceirizada: cabe à Carris, empresa operadora, fornecer os cabos, enquanto uma companhia contratada faz a instalação sob fiscalização.
Outro ponto crítico é a indefinição sobre a supervisão legal do equipamento. O GPIAAF constatou que o bondinho não está sob a alçada do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e que ainda não há clareza sobre qual entidade pública deve fiscalizar o funcionamento e a segurança do ascensor, além da inspeção periódica feita por uma instituição acreditada a cada quatro anos.
O Elevador da Glória, um dos símbolos turísticos de Lisboa, liga os Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, em um percurso de 276 metros, e é gerido pela Carris.







