A Baía de Guanabara, um dos cartões-postais mais emblemáticos do Brasil, recebe diariamente 3 milhões de litros de chorume – resíduo tóxico gerado pela decomposição do lixo. O dado alarmante foi divulgado pelo movimento ambiental Baía Viva, que aponta o despejo de 1 bilhão de litros por ano e cobra ações efetivas do poder público.
Segundo o ambientalista Sérgio Ricardo Potiguara, o Rio de Janeiro vive uma “crise do chorume”, com lixões desativados ainda acumulando resíduos de forma precária. Ele destaca que só o antigo lixão de Gramacho é responsável por metade da produção diária do chorume na região metropolitana. Parte desse resíduo sequer passa por tratamento adequado, sendo diluído irregularmente em estações de esgoto.
O impacto vai além do meio ambiente: comunidades pesqueiras empobrecem, a biodiversidade entra em colapso e a saúde pública é ameaçada. Mesmo com programas como o Lixão Zero e promessas bilionárias de investimento, especialistas como os professores Adacto Ottoni (UERJ) e Carlos Canejo (UVA) denunciam falhas estruturais, omissão e monitoramento precário por parte do estado.
O Inea, órgão estadual do meio ambiente, afirma que não há evidências de despejo irregular, mas admite que nem todos os aterros tratam corretamente o chorume. Já a sociedade civil, cansada de promessas, exige transparência, fiscalização e ações imediatas para evitar o colapso total da baía.







