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Às vésperas de protagonizar o Apple Music Super Bowl Halftime Show, Bad Bunny vive um dos momentos mais simbólicos — e intensos — de sua carreira. Em uma coletiva de imprensa marcada por sinceridade, humor e reflexões profundas, o artista porto-riquenho falou abertamente sobre emoções, trajetória, identidade cultural e o peso (sem o drama) de se apresentar no maior palco do entretenimento global.

Logo no início do encontro, o clima foi de euforia. Entre aplausos, celulares erguidos e muita “big energy”, o cantor foi recebido como estrela absoluta. Questionado sobre como se sentia naquele momento, Bad Bunny foi honesto: não sabia exatamente definir. “Tem sido muita coisa ao mesmo tempo”, resumiu. Em meio a uma turnê em andamento, uma recente passagem pelo Grammy — onde saiu consagrado como vencedor do Álbum do Ano — e os preparativos finais para o Super Bowl, ele admitiu estar processando tudo “um dia de cada vez”.
Apesar do turbilhão, um sentimento se destacou ao longo de toda a coletiva: gratidão. “O maior sentimento é ser grato. Estou feliz, mas ainda assimilando tudo”, afirmou. Mais do que a própria conquista, Bad Bunny destacou a emoção de ver sua família, amigos e pessoas que sempre acreditaram nele celebrando aquele momento. Para o artista, é isso que torna a apresentação especial: “É sobre a cultura, sobre as pessoas. É isso que faz esse show ser diferente para mim”.
Preparação sem pressão (ou quase)

Ao ser questionado sobre como encontrou tempo — e equilíbrio emocional — para se preparar para o halftime show em meio a tantos compromissos, Bad Bunny revelou uma estratégia simples: tentar não pensar demais. “Acordo, treino, tomo meu café e sigo o dia. Tento lembrar que são cerca de 13 minutos fazendo algo que eu amo”, explicou, reconhecendo, porém, que nem sempre é fácil desligar a mente — especialmente à noite.
Ele também fez questão de reforçar que não está sozinho. “Existe uma equipe enorme por trás de tudo isso”, disse, destacando a importância de curtir o processo sem se deixar consumir pela pressão de estar no “maior palco do mundo”.
Esporte, paixão e identidade
A conversa também passeou por temas menos óbvios, como a relação do cantor com o esporte. Apesar de admitir que nunca foi bom atleta, Bad Bunny revelou ser um apaixonado por esportes, influência direta de sua infância em Porto Rico. “Beisebol, boxe, basquete… o esporte sempre esteve presente”, contou, lembrando com orgulho que um jogador porto-riquenho também estaria em campo no Super Bowl.
Para ele, a combinação entre esporte e música desperta uma paixão única — algo que, de certa forma, se materializa justamente no halftime show.
Um álbum, muitas transformações
Um dos momentos mais densos da coletiva veio quando Bad Bunny falou sobre seu álbum mais recente, vencedor do Grammy, descrito por ele como o projeto mais especial de sua carreira. Gravado em Porto Rico, o disco nasceu do desejo de se reconectar com suas raízes, sua história e consigo mesmo — sem qualquer ambição de prêmios ou grandes palcos.
“Eu não estava buscando Álbum do Ano, nem o Super Bowl. Eu só queria me conectar com minhas raízes, com meu povo, de forma honesta”, afirmou. Segundo o artista, o sucesso global que veio depois foi uma surpresa — e uma confirmação de algo que ele já sabia, mas agora sente com mais força: “Você precisa se orgulhar de quem você é e de onde você vem, mas sem deixar isso te limitar”.
Esse pensamento, segundo ele, é uma das grandes lições do álbum, que carrega para a vida inteira.
Do palco compartilhado ao protagonismo
Bad Bunny também relembrou sua participação no Super Bowl de 2020, ao lado de Jennifer Lopez e Shakira. Embora muitos fãs vejam aquele momento como um prenúncio do que viria, o cantor garantiu que nunca traçou esse objetivo. “Nunca pensei ‘vou voltar aqui sozinho’”, disse. Seu foco sempre foi criar, se divertir e se conectar com as pessoas — seja falando de sentimentos profundos ou de algo simples que viveu na noite anterior.
Essa filosofia também se reflete em sua forma de trabalhar: ele escreve suas próprias músicas, produz com amigos e mantém o estúdio como um espaço íntimo, longe de fórmulas ou tendências impostas pela indústria.
Haverá surpresas?
Quando a pergunta inevitável surgiu — se haverá convidados especiais no palco — Bad Bunny desconversou, arrancando risadas. Não confirmou, mas também não negou. Preferiu dizer que seus verdadeiros “convidados” são sua família, seus amigos e toda a comunidade que o apoia ao redor do mundo. “Latinos, americanos, chineses… tem gente do mundo todo me desejando sorte”, contou, emocionado.
Sobre o que o público pode esperar da apresentação, ele foi direto: uma grande festa. Sem spoilers, prometeu dança, diversão e energia vinda do coração. “Não precisam aprender espanhol. É melhor aprender a dançar”, brincou.
Corpo, mente e… dominó
Em um tom mais leve, o cantor falou sobre os cuidados físicos para aguentar a maratona do Super Bowl: treinos, alimentação equilibrada e até a dolorosa redução nas partidas de dominó — uma de suas paixões. “Isso está me matando”, disse, rindo, ao contar que anda perdendo feio nos jogos.
A base de tudo: a mãe
Talvez o momento mais emocionante da coletiva tenha sido quando Bad Bunny respondeu a uma pergunta sobre quem acreditou nele antes da fama. Sem hesitar, citou a mãe. “Ela acreditou em mim como pessoa, não como artista”, afirmou. Segundo ele, essa confiança em suas decisões, opiniões e caráter foi fundamental para chegar onde chegou. “Isso é melhor do que qualquer outra coisa”, resumiu.
“Eu nasci para isso”
Encerrando o encontro, ao ser questionado sobre o que faria se não fosse músico, Bad Bunny foi sincero: não se imagina fazendo outra coisa. “Essa sempre foi minha paixão. Eu nasci para isso”, declarou, reforçando que, independentemente do caminho, continuaria criando.







