A 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) chega ao fim nesta sexta-feira (11), mas o recado das lideranças indígenas é claro: a mobilização continua. Durante cinco dias, mais de 8 mil representantes de ao menos 135 povos ocuparam Brasília com plenárias, manifestações, encontros com autoridades e uma pauta firme em defesa dos direitos originários.
Apesar da repressão policial na noite de quinta-feira (10) e da ausência de anúncios de novas homologações de terras indígenas, os organizadores avaliam o ATL como um sucesso. “Vamos seguir cobrando. A demarcação é nossa principal bandeira, mas há outras demandas urgentes, como saúde, educação, saneamento e apoio às atividades produtivas”, afirmou Kleber Karipuna, da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

Durante o ATL, as lideranças entregaram ao governo um documento com reivindicações em diversas áreas. Kleber destacou que as ações não podem se limitar a datas simbólicas. “Queremos políticas contínuas, não anúncios apenas em momentos de mobilização.”
O evento recebeu ministros como Sonia Guajajara (Povos Indígenas), Marina Silva (Meio Ambiente) e Alexandre Padilha (Saúde), que vacinou lideranças como gesto de incentivo à imunização indígena. Reuniões também ocorreram com ONGs, entidades internacionais e ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes, relator de ações que discutem a validade da tese do Marco Temporal.

“O ATL se encerra, mas nossas lutas não. Seguiremos ocupando espaços e pressionando por justiça, reconhecimento e respeito aos nossos territórios e modos de vida”, concluiu Kleber.







