Três propostas criadas por arquitetos e urbanistas negros foram selecionadas para transformar a Pequena África, no centro do Rio de Janeiro, em um grande museu a céu aberto. O concurso, promovido pelo BNDES, teve seu resultado divulgado na última quarta-feira (25) e faz parte de uma estratégia para resgatar e valorizar a importância histórica e simbólica da região, marcada pela presença africana na formação do Brasil.

O projeto vencedor foi o “Pequena África: Memória Continental”, liderado pela arquiteta Sara Zewde, dos Estados Unidos. Inspirado no calçadão de Copacabana, o trabalho propõe padrões de pavimento que dialoguem com a história da diáspora africana. Os outros dois projetos premiados foram: “Pequena África: Território Akpalô”, dos brasilienses Carlos Henrique Magalhães de Lima e Júlia Huff Theodoro, e “Sankofa e a Trama da Pequena África”, do arquiteto Clovis Nascimento Jr. com o escritório de Patrícia Akinaga.
A seleção privilegiou ações de mobilidade urbana, sinalização, mobiliário e comunicação visual, com o objetivo de estimular a economia criativa, preservar o patrimônio e ampliar o acesso à cultura na região que já atrai turistas de todo o mundo.

“O fortalecimento da Pequena África é parte de um projeto de desenvolvimento que reconhece sua contribuição histórica para o país”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

A Pequena África reúne marcos fundamentais da cultura negra no Brasil, como o Cais do Valongo – Patrimônio Mundial da Unesco –, o Cemitério dos Pretos Novos, a Pedra do Sal e a Casa da Tia Ciata. É um território de resistência, memória e ancestralidade, onde se busca, por meio dessas intervenções, ressignificar o espaço urbano como ferramenta de justiça histórica.
Além de impulsionar o turismo de base cultural, a iniciativa também reafirma o protagonismo negro no pensamento urbano. Um passo simbólico e concreto rumo a uma cidade mais representativa, inclusiva e conectada com sua história real.







