Após cinco anos em obras, o Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro, será reinaugurado no próximo dia 20 de maio. Ícone da arquitetura moderna e tombado como patrimônio histórico, o edifício passou por uma ampla reforma estrutural e de preservação iniciada em 2019. O projeto contemplou a modernização das instalações e a restauração de elementos originais, como pisos, móveis, jardins e obras de arte.
Com a reabertura, o Ministério da Cultura (MinC) pretende integrar o prédio à vida cultural da cidade. A ideia é permitir o acesso da população a áreas com atividades administrativas de instituições como a Funarte, o Iphan, a Biblioteca Nacional e a Casa de Rui Barbosa. A Funarte, inclusive, terá sua sede definitiva no local, ocupando três andares do edifício.

“Não é só memória, é também futuro. O Capanema será um espaço vivo para as novas gerações conhecerem o modernismo e os artistas que ajudaram a construir esse marco do Brasil”, declarou a ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante visita guiada nesta terça-feira (6).
A obra foi financiada com recursos do Novo PAC e recebeu R$ 84,3 milhões em investimentos federais. As melhorias incluíram novas instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias, sistema de vigilância e combate a incêndio, além da restauração do mobiliário e dos jardins projetados por Roberto Burle Marx.
Projetado por Lúcio Costa e contando com a colaboração de nomes como Oscar Niemeyer e Le Corbusier, o Capanema reúne importantes obras de arte, como os painéis de Cândido Portinari e elementos tombados no Livro das Belas Artes desde 1948.

Entre as novidades da reabertura está a Biblioteca Euclides da Cunha, ligada à Fundação Biblioteca Nacional, que oferecerá acesso público a salas de leitura e a partituras históricas. Já a Casa de Rui Barbosa terá um espaço dedicado a Carlos Drummond de Andrade, ex-chefe de gabinete de Gustavo Capanema, com objetos pessoais do poeta em exposição.
A ministra também destacou o simbolismo da entrega em um momento de reconstrução da política cultural no país. “O Capanema resistiu a tentativas de apagamento. Ele representa a força da cultura brasileira e a decisão política de restaurá-la”, disse. Em 2016 e 2021, o prédio foi palco de protestos contra o fim do MinC e chegou a ser listado para leilão durante o governo Bolsonaro, mas acabou preservado após pressão social.
A reinauguração marcará também a retomada da Ordem do Mérito Cultural, que voltará a ser concedida após seis anos de interrupção. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da cerimônia no dia 20, quando serão homenageadas 100 personalidades da cultura brasileira.







