A cantora Alice Caymmi lança nesta sexta-feira (13 de março) o single “Modinha para Gabriela”, uma releitura contemporânea do clássico composto por Dorival Caymmi. A faixa, que ficou conhecida como tema de abertura da novela Gabriela (1975), chega às plataformas digitais como o primeiro lançamento do álbum “Caymmi”, projeto inteiramente dedicado ao repertório do compositor baiano e previsto para o início de abril.
Longe de seguir uma abordagem puramente nostálgica, Alice propõe uma nova leitura da canção ao incorporar balanço reggae, elementos de música eletrônica e uma atmosfera sonora contemporânea. A proposta preserva o espírito da composição original, mas a aproxima das linguagens musicais atuais e do público das novas gerações.
Segundo a cantora, a releitura busca manter viva a obra do avô por meio da reinvenção.
“Essa conexão é fundamental. A obra do meu avô é eterna, mas não estava sendo eternizada. Os puristas acham que as músicas de Caymmi são intocáveis. Não é verdade. Eu trouxe um olhar jovem, atual, que dialoga com o público jovem. O meu avô sempre foi conectado com o que acontecia ao redor dele”, afirma Alice.
Um tributo que dialoga com o presente
Produzida por Iuri Rio Branco, do selo Daluz Música, a nova versão de “Modinha para Gabriela” assume papel central no álbum. O projeto revisita clássicos do cancioneiro de Dorival Caymmi sob uma perspectiva contemporânea, reforçando a ideia de continuidade artística dentro da família Caymmi.

Entre as canções que ganharão novas interpretações no disco estão “Maracangalha” e “Dois de Fevereiro”, obras que ajudaram a consolidar o compositor como um dos grandes nomes da música brasileira.
Mais do que um tributo, o álbum se apresenta como um diálogo entre herança cultural e experimentação, propondo uma escuta atual para músicas que fazem parte do patrimônio da música popular brasileira.
Gabriela como símbolo de liberdade
Para Alice, a escolha de “Modinha para Gabriela” como primeiro single também tem relação com o simbolismo da personagem criada por Jorge Amado. A cantora vê na figura de Gabriela um retrato de liberdade e conexão com a natureza — características que também marcam sua identidade artística.
“’Gabriela” remete à minha visão de mundo. Sou mutante e não abro mão disso. Não é á toa que escolhi essa música como single. A personagem que Jorge Amado construiu e que meu avô cantou tem uma sensualidade natural, uma ligação com a natureza selvagem. Sempre fui uma mulher in natura, sempre coloquei meu corpo no mundo e no espaço. Faço questão da liberdade. Gabriela é parte da natureza – e não algo que você pode ter ou controlar. Ela não pode ser contida nem guardada”, afirma.
O produtor Iuri Rio Branco explica que o reggae foi escolhido por sua capacidade de renovar canções conhecidas e trazer frescor à interpretação.
“Em Modinha para Gabriela, eu pensei um pouco e cheguei à conclusão de que tinha que ser um reggae. Tem tudo a ver. É Brasil, é popular, é fresh e impactante. O reggae tem esse poder, essa tradição de trazer frescor aos temas já existentes – e não foi diferente com esta canção”, explica.







