O cantor e compositor pernambucano Alceu Valença inicia neste sábado (14), no Rio de Janeiro, a turnê “80 Girassóis”, criada para celebrar seus 80 anos de vida e mais de cinco décadas de trajetória na música brasileira. A estreia acontece na Farmasi Arena, na capital fluminense, dando início a uma série de shows que passará por cidades como São Paulo, Salvador, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Recife, Fortaleza, Belém e Belo Horizonte.
A comemoração antecede o aniversário do artista, que completa oito décadas em 1º de julho, e conta com patrocínio master do Banco do Brasil. Segundo Alceu, o espetáculo foi cuidadosamente planejado após meses de preparação.
“Esta turnê vai ser uma maravilha. Está sendo muito bem projetada pela minha esposa, Yanê Montenegro, e por Júlio Moura. Temos parceiros em vários estados para realizar esse projeto”, afirmou o artista em entrevista.
No palco, Alceu será acompanhado por uma banda formada por Tovinho (teclados e direção musical), Cássio Cunha (bateria), Zi Ferreira (guitarra), Nando Barreto (baixo), André Julião (sanfona) e Costinha (flautas), além das participações de Lui Coimbra (violas e violoncelo) e Natalia Mitre (percussão).

Espetáculo une música, memória e projeções visuais
O show foi desenvolvido ao longo de seis meses de ensaios e contará com projeções visuais especiais criadas pelo artista visual Rafael Todeschini, que ajudam a contar a história do cantor. Segundo Alceu, o material inclui imagens raras de seu acervo pessoal.
“Esse show tem projeções incríveis. Dentro desse acervo meu, até minha mãe e meu pai vão aparecer”, revelou.
A turnê também terá atividades paralelas em algumas cidades, incluindo exposições de artes plásticas e sessões de cinema, refletindo a diversidade artística de Alceu, que além da música também atua como cineasta. Entre seus trabalhos no cinema estão o clássico A Noite do Espantalho, dirigido por Sérgio Ricardo, e o filme autoral A Luneta do Tempo.
Repertório conta história musical do artista
O repertório da turnê foi pensado como uma narrativa poética que conecta diferentes momentos da carreira do cantor. Entre as canções presentes estão composições inspiradas nas raízes do sertão pernambucano, como “Martelo Agalopado”, além de referências a mestres da música nordestina, como Luiz Gonzaga.
A apresentação também traz clássicos que marcaram gerações, como “Anunciação”, que ultrapassa 200 milhões de reproduções no Spotify, e “Belle de Jour”, que soma mais de 300 milhões de visualizações no YouTube.
Outro momento marcante do espetáculo celebra o lado carnavalesco do artista, conhecido por arrastar multidões com o bloco Bicho Maluco Beleza, que reúne cerca de 1 milhão de foliões em suas apresentações.
Uma trajetória marcada pela cultura nordestina
Natural de São Bento do Una, no interior de Pernambuco, Alceu construiu sua obra a partir das referências do sertão, como aboios, toadas de vaqueiros e a tradição do repente. Ao longo da carreira, também transitou entre o popular e o erudito, realizando concertos com orquestras no Brasil e no exterior.
Formado em Direito, o artista chegou a considerar seguir carreira jurídica, mas decidiu dedicar-se à arte — uma escolha que, segundo ele, confirma a frase que ouviu da mãe ainda jovem.
“Ela dizia que eu tinha vindo ao mundo para levar alegria às pessoas. Ainda bem que se confirmou”, brincou o cantor.
Com a turnê “80 Girassóis”, Alceu Valença revisita sua própria história e reafirma sua posição como um dos grandes nomes da música brasileira.







