
A estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do carnaval carioca teve como tema a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora fosse o homenageado da noite, ele não integrou o desfile e assistiu à apresentação do camarote da prefeitura do Rio, instalado próximo ao segundo recuo de bateria, na Marquês de Sapucaí. Em determinado momento, desceu à pista para cumprimentar integrantes da escola e acompanhar de perto alguns trechos da exibição.
Na avenida, o enredo percorreu momentos marcantes da vida do presidente, desde a infância no interior de Pernambuco até a atuação como líder sindical no setor metalúrgico. Elementos cenográficos e alegorias ilustraram passagens pessoais e políticas, com referências explícitas à sua carreira pública.

Adversários também foram retratados. O ex-presidente Michel Temer apareceu representado na comissão de frente, em alusão ao período em que assumiu o comando do país após o afastamento de Dilma Rousseff. A encenação fez menção a um episódio descrito como ato de “deslealdade” no material entregue aos jurados antes do desfile.
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, era aguardada no último carro alegórico, mas não participou. A ausência ocorreu após debates sobre a possibilidade de o desfile ser interpretado como propaganda eleitoral antecipada. Ao longo da semana, a escola manteve a expectativa de sua presença, que acabou não se confirmando.
Logo no início da apresentação, um telão exibiu imagens do presidente, incluindo registros de campanhas eleitorais. O carro abre-alas trouxe referências à seca nordestina, com esculturas de carcarás e a representação de uma árvore florida, no topo da qual estava a figura de um menino segurando uma estrela azul.
Dispersão marcada por tumulto e mal-estar
Após o término do desfile, a área de dispersão registrou correria para retirada das alegorias, que se acumularam no local. Componentes precisaram permanecer isolados em um dos cantos enquanto aguardavam a liberação do espaço. O calor intenso contribuiu para que alguns integrantes passassem mal.
Uma participante foi atendida por equipe de apoio ao relatar indisposição. Durante a tentativa de remover a fantasia, quase desmaiou e precisou ser encaminhada em cadeira de rodas para atendimento.
Presença no camarote e esquema de segurança
O presidente chegou ao Sambódromo por volta das 20h30, sob forte aparato de segurança. Foi recepcionado no camarote oficial pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, pelo vice-prefeito Eduardo Cavaliere e pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Também estavam presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin e sua esposa.
De acordo com a Polícia Militar, a operação contou com apoio da Polícia Federal e das Forças Armadas. Veículos do Gabinete de Segurança Institucional permaneceram posicionados atrás do camarote presidencial, enquanto equipes do Batalhão de Choque foram mobilizadas nas imediações do Sambódromo. A Força Aérea Brasileira informou que o espaço aéreo da região central não seria fechado durante o carnaval.
Para proteger seus carros alegóricos, a escola transportou as estruturas até a concentração cobertas por plástico. A escultura do presidente no último carro foi instalada apenas quando a agremiação já se preparava para entrar na avenida. Segundo a direção, cerca de 80 seguranças foram contratados para atuar na concentração, e funcionários trabalharam identificados.
Questionamentos judiciais
O enredo motivou ações judiciais que tentaram impedir a apresentação sob o argumento de possível promoção eleitoral antecipada. Na quinta-feira anterior ao desfile, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral rejeitou, por unanimidade, dois pedidos para suspender a exibição. Os ministros entenderam que uma proibição prévia configuraria censura, mas ressaltaram que eventual irregularidade poderá ser analisada posteriormente.







