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A precisão do monitoramento de terras indígenas é aprimorada com o uso da tecnologia

No Dia dos Povos Indígenas, a proteção do território é uma das principais reivindicações.

Rodrigo SouzaPorRodrigo Souza
19 de abril de 2023
em Notícias
A Precisão Do Monitoramento De Terras Indígenas é Aprimorada Com O Uso Da Tecnologia - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca

TECNOLOGIA-INDÍGENAS - Indígenas do Acre fazem treinamento com tecnologias. - Foto: CI-Brasil/Divulgação

Em parceria com a organização não governamental Conservação Internacional (CI-Brasil) e os povos Yawanawá e Ashaninka, um sistema de monitoramento e gestão territorial está sendo utilizado para mapear a produção agroextrativista dos povos que vivem nas Terras Indígenas do Rio Gregório e Kampa do Rio Amônia, no Acre. Por meio de um aplicativo para celular, a ferramenta é capaz de realizar o levantamento de dados demográficos e da biodiversidade local, além de alertar sobre mudanças no uso do solo.

Desde que começou a ser testada em junho de 2022, a ferramenta já ampliou a proteção de mais de 274,6 mil hectares de terras, beneficiando direta e indiretamente quase 2,5 mil pessoas. A utilização da tecnologia é um diferencial para alertar os indígenas em casos de ameaça de incêndio, desmatamento e invasão. Além disso, a ferramenta também serve para registrar informações sobre atividades como roçados de agricultura e regiões de caça, permitindo que os indígenas identifiquem onde há redução de determinada espécie e decidam caçar em outros lugares. Alguns povos estão até fazendo levantamento demográfico em suas aldeias.

Os alertas emitidos pelo sistema podem ser encaminhados para diversas autoridades, como o Ministério Público Federal, polícias estadual e federal, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e ministérios dos Povos Indígenas e do Meio Ambiente e Mudança Climática. Com isso, a ferramenta contribui para uma gestão territorial mais eficiente e para a proteção dos povos indígenas e de suas terras.

Segurança

Em entrevista à Agência Brasil, o cacique Tashka Yawanawá, afirmou que o aplicativo tornou o monitoramento da terra mais fácil e seguro.

“A gente fazia o monitoramento manual, subindo os rios, os caminhos das limitações do território e, agora, usando os drones e o aplicativo, fica melhor porque a gente consegue guardar esses dados. E esses dados ficam disponíveis para quando a gente precisa fazer denúncia de invasão. A gente sabe exatamente em que ponto do GPS esses incidentes estão acontecendo. O uso da tecnologia melhora a qualidade final do trabalho. Para nós, a tecnologia tem sido muito positiva, com certeza. Facilitou o nosso trabalho.”

O Ashaninka Jhon Velasco destacou que o monitoramento territorial de seu povo era feito sem o uso de tecnologias.

“Com esta iniciativa, nossas monitoras estão nos ensinando a mexer com o aplicativo e o GPS. Isso é um passo muito importante que nós, Ashaninka de Marechal Thaumaturgo, estamos dando. Estamos tentando nos aprimorar e aprender cada vez mais com essa tecnologia que facilita o nosso trabalho de monitoramento. E esse aplicativo é voltado também para os nossos trabalhos comunitários, de mapeamento de infraestrutura e delimitação de roçados.”

Ferramenta

A Precisão Do Monitoramento De Terras Indígenas é Aprimorada Com O Uso Da Tecnologia - Jornal Expresso Carioca - Expresso Carioca
TECNOLOGIA-INDÍGENAS – Indígenas do Acre fazem treinamento com tecnologias. – Foto: CI-Brasil/Divulgação

De acordo com o vice-presidente da CI-Brasil, Mauricio Bianco, o monitoramento de terras é uma grande demanda dos povos indígenas do Brasil. “O nosso objetivo é juntar dois tipos de conhecimento: técnico-científico e o tradicional desses povos”, disse. Segundo Bianco, o monitoramento é feito com drones e os dados são lançados em um banco de dados por meio de aplicativo, o que torna o trabalho mais seguro.

Para facilitar a compreensão dos usuários, o aplicativo usa símbolos e termos da língua dos povos indígenas. “E não precisa necessariamente ter internet, porque o aplicativo funciona online. Depois, quando conseguem usar a internet, podem baixar os dados. Eles conseguem ter informações muito mais precisas, basicamente em tempo real”, explicou.

Na construção do aplicativo foram usados ícones e símbolos que representam diferentes questões para cada povo indígena. O desenho do ícone, seja em formato de animais, roçado, invasão por incêndio, é determinado pelos próprios indígenas, de acordo com a necessidade dos usuários.

“Cada povo (Yawanawá e Ashaninka) teve símbolos do ícone de acordo com o que entendem. Se eles não entenderem, não adianta nada a gente fazer uma coisa padronizada”, disse Bianco. Segundo ele, trata-se de povos que não desenvolveram a escrita, o que justifica a importância dos ícones.

Mauricio Bianco salientou que os dados coletados ficam sob a responsabilidade dos próprios povos indígenas. “Isso é importante porque, eventualmente, algumas pessoas coletam informações que guardam em banco de dados aos quais os indígenas, que são os responsáveis e os principais interessados em ter essas informações, não têm acesso”, afirmou.

São os povos indígenas que definem pode ter acesso ao aplicativo, porque há informações que preferem guardar para si. O sistema é complementado com informações disponibilizadas por satélites e órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo o presidente da CI-Brasil, a perspectiva é ampliar o acesso à ferramenta para outros povos indígenas. Entre eles, estão os Kayapós, da região do Xingu, com os quais a Conservação Internacional já tem atuado.

Demarcação

A Terra Indígena Rio Gregório foi demarcada em 1983 e homologada em 1991, com limites revistos em 2007. Com 187.400 hectares, está localizada no município de Tarauacá, no Acre.

Já a Terra Indígena Kampa do Rio Amônia foi demarcada e homologada em 1992, tem 87.205 hectares, sendo localizada no município de Marechal Thaumaturgo, também no Acre, na fronteira com o Peru.

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Tags: Aplicativo IndígenasExpresso CariocaJornal Expresso CariocaNotíciaspovos Ashaninkapovos Yawanawá
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